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Entre compositores, cantores e músicos, há dança para encantar quem assiste

 

Tenho na dança a melhor forma de expressão, um modo de vida, um estilo próprio

Por Lilian Castilho

Adriano em uma de suas apresentações de dança

A Cultura da Nossa Gente apresentou até agora compositores, músicos e cantores que encantam pelo dom de alegrar e estimular os ouvidos dos que admiram essas artes. Aos olhos de quem assiste, apresentaremos o personagem foco desta matéria que dá ainda mais vida ao que se é ouvido. Uma cultura milenar que abrilhanta o espetáculo da música, ilustrando a canção com movimentos da dança.

Adriano da Silva Serra, 32 anos, dançarino, professor, universitário do curso de psicologia da Funec e santafessulense há três anos, trouxe para a cidade um pouco da sua arte, do seu dom, que ajuda a enriquecer a cultura local, dando o prazer aos espectadores de acompanhar o movimento encantador do que dita a música.

Natural de Campinas, passou 20 anos da vida em Aguapeí – SP, onde iniciou suas atividades na dança. A mãe toca teclado e violão, e há pouco tempo ingressou nas aulas de piano. Talvez esse fato explique o gosto pela arte musical e da coreografia.

Segundo Adriano, a dança o atrai, antes mesmo do que ele possa lembrar-se de si mesmo. No entanto, aos 4 ou 5 anos de idade, ele já possuía um grupo de dança de rua, o qual brincava de imitar os artistas que via na TV. E foi em 1992 que Adriano entrou para a companhia de dança da cidade dele, chamado "Evolução de Rua".

Pouco tempo depois, mostrando suas habilidades e facilidades com a dança, Adriano foi promovido a coreógrafo assistente e já no ano seguinte, 1993, tornou-se coreógrafo oficial, ficando durante seis anos à frente do grupo.

Foi no "Evolução de Rua", que Adriano pode destacar-se entre os dançarinos, e tinha como forma de expressão o Street dance e teatro, por isso era utilizado também outros ritmos eruditos. Atualmente, tem como preferência os estilos Black music, samba de gafieira, bolero, e forró, arriscando-se entre outros ritmos existentes.

O dançarino explicou que esse grupo sobrevivia de campeonatos, cuja premiação era em dinheiro. Ele disse também que era difícil patrocínio na arte da dança, embora o grupo a que pertencia possuísse o maior número de títulos daquela região. "Foram disputados 25 campeonatos regionais não oficiais; tivemos o primeiro lugar em 17 concursos, um em segundo no espaço aberto do Masp/SP; e um em terceiro. Disputamos também duas vezes o Mapa Cultural Paulista. O grupo terminou por que os componentes foram casando, outros se formaram e mudaram de cidade etc", lembrou Adriano.

Em 1998, Adriano ingressa na dança de salão, apesar de já ter feito apresentações de Samba de Gafieira, Gipsy e Tango anteriormente. Já em Santa Fé do Sul, em 2009, Adriano começou a colaborar com a expansão cultural na cidade, transformando-se em professor de Dança de Rua no Projeto Renascer, onde ficou de abril a julho do mencionado ano.

Nesse período, Adriano desenvolveu pequenas coreografias, cujos movimentos partiam de iniciativas dos educandos, movimentos corporais individuais foram acrescentados na coreografia, sendo aprendidos pelos demais participantes.

O objetivo era trabalhar a autoestima, valorizando o que partia deles e mostrando que eles possuíam o belo, o estético e a sensibilidade para sentir o pulsar da música. Recentemente, Adriano, juntamente com uma parceira de dança, Aline Emanueli, apresentou no I Balaio Cultural, realizado dia 30 de janeiro deste ano, um bolero, antecedido por uma breve introdução sobre a origem desse ritmo e sua mensagem mais institucionalizada, que é o amor recíproco que ama e fere, sofre a presença e a ausência do amado.

"A Aline aprendeu o bolero comigo. Foram dois meses de aula e os que lá estiveram puderam presenciar o belo em cada desenho que ela esculturava com o seu corpo", comentou o professor.

A dança tem um significado grandioso na vida de Adriano, " sem a dança eu não seria eu, para mim tem valor de identidade, personalidade, ela me prepara pra vida, me educa, abre portas para novas amizades, é incalculável o valor que essa arte transmite à minha vida e tem como representatividade nela", relatou ele.

Adriano falou ainda que a dança representa a essência da profissão que ele escolheu, a saber, a psicologia, pois esta requer a sensibilidade para ler o que as pessoas não dizem, como elas estão se sentindo. "Dançar pra mim é sexo, é preliminar e fantasia", afirmou.

Em relação à cidade, Adriano fala sobre o que pensa do espaço que é oferecido para os artistas que aqui residem. E menciona ter estranhado o fato de a cidade ser tão fechada para a diversidade musical, se restringindo apenas a um estilo, o sertanejo e com ele o forró. "Numa cidade que é turística, creio haver uma diversidade de afinidades musicais muito maiores do que é oferecido pela indústria do lazer local", argumentou.

Finalizou ele ainda dizendo "creio que movimentos como o Balaio Cultural, iniciado por Claudia Borges, seja fundamental para que a cultura escondida apareça, tenha expressão e contagie a outros. Tornar aquelas expressões cada vez mais em evidência, como O Jornal está fazendo com esta coluna, é de igual importância, por isso aproveito para parabenizá-los pela iniciativa", concluiu.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

    

 

 

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