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TER DINHEIRO OU TER PODER

 

Dizem que o dinheiro não traz felicidade, mas, vamos falar a verdade, é bem melhor ser um rico infeliz do que ser pobre nas mesmas condições...
E, se quase todo ser humano concorda, que prefere chorar no Caribe, cercado de mordomias a fazê-lo na favela da Rocinha, por que será que o Homem que não tem problemas em relação ao dinheiro, abre mão de sua Paz de espírito, não se contenta com a sua riqueza, e almeja ser, além de rico, poderoso?
Quando o indivíduo é rico, ou, mais que isso, milionário, e deseja irrefutavelmente o Poder, tal desejo tornar-se uma paixão inconscientemente patológica, a qual é infinitamente mais destrutiva que a ânsia incontida de riqueza.
A riqueza se restringe a fazer do homem um “possuidor” de coisas meramente materiais, como carros, imóveis, roupas, que têm seu valor apenas pelo preço que lhes é atribuído,valem pelo que custam no momento. Hoje, faz diferença, causa inveja, dá status, possuir isso ou aquilo, mas amanhã, já passou de moda, desvalorizou e já não faz de você alguém especial, “notado”.
Você pode ser rico, ter muitos bens materiais, mas não ter talentos ou exercer funções que o façam poderoso, lembrado, reverenciado...
Aquela coisa de passar despercebido pelo mundo dos homens! Ser dono de “coisas”, mas não possuir seres humanos!
Segundo Nietzsche, se todos os que lhe cercam são ricos, você é apenas mais um, e sempre haverá alguém mais rico que você, mas você continuará rico, possuindo objetos.
Mas se você é poderoso, alguém com mais poder poderá anular o seu...
O poder faz com que o homem não sinta um dos sentimentos que mais lhe incomodam: a indiferença! O poderoso é notado, reconhecido, aplaudido, lembrado, convidado... O rico, nem sempre... Não há ego que resista.
Dependendo do caráter do homem, a riqueza pode modificar ou não sua maneira de ser, mas, quando o indivíduo sobe ao trono (ou a um simples palanque), e pode olhar “de cima” aqueles a quem dá ordens, sejam eles súditos ou simples coordenados, ele já tem sua personalidade modificada irreversivelmente.
Ter a sensação conscientemente reconhecida de ser o “Rei da cocada preta”, o “Dono do pedaço”, faz com que sentimentos antes inexistentes inundem o ser humano, transformando-os quase sempre e inexoravelmente em outras pessoas, nem sempre melhores.
O poder enlouquece os homens, a riqueza os faz cometer loucuras! Para chegar ao poder o homem mente, vilipendia outros seres humanos, destrói sua família e inventa valores que não possui.
E já que estamos vivendo um período político, é fácil observar o que a ânsia para subir ao poder (qualquer um deles), faz com os homens. Tornam-se capazes de tudo, desde cair no ridículo e se tornarem palhaços em seus próprios círculos sociais, onde antes eram respeitados, até o cúmulo de fingirem possuir nobres ideais e apresentarem projetos que prometem salvar o mundo, ou o país ou a aldeia...
Quando, na verdade, eles só conseguem enxergar a si próprios em seu lago narcisista de mentiras e hipocrisia.
Segundo estudiosos do assunto, o Poder faz fronteira com a Loucura, daí tantos hospícios estarem repletos de Napoleões e “Enviados do Senhor”. Tudo pela atormentadora necessidade de possuir o poder de dominar.
Para chegar ao poder, ser lembrado para sempre e dominar seus semelhantes, o homem se torna estúpido e imoral.
A grande maioria engana, fingindo “preocupação social”, e é preciso estar com olhos, ouvidos e intelecto bem alertas para não sermos apenas mais um súdito de um estúpido palhaço, um rei, ou um pretenso candidato, político ensandecido pelo Poder e que pela possibilidade de conquistá-lo, preferem ser temidos a ser amados!!!


 

   

 

 

   

 

 

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