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Luciano Pires é
profissional de comunicação, jornalista, escritor, palestrante,
cartunista, atualmente Diretor de Comunicação Corporativa da Dana.
Site: www.lucianopires.com.br |
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Aquabras
Durante pesquisa para montagem de uma nova palestra encontrei
referências a Marcus Vitruvius Pollio, um escritor, engenheiro e
arquiteto romano que viveu no primeiro século antes de Cristo. Ele é
autor de uma série de livros chamados De Architectura (Sobre
Arquitetura), dedicados ao imperador Cesar Augusto, e são um guia
para a construção de projetos.
Em um dos livros está uma descrição de como os romanos construíram
seus aquedutos, desde a forma como os locais onde seriam construídos
eram escolhidos até a definição de materiais a serem utilizados.
Vitruvius já recomendava que não se utilizasse chumbo para conduzir
água potável, 100 anos antes de Cristo...
Somados, os aquedutos construídos em Roma atingiam cerca de 800
quilômetros, pouco menos de 50 deles acima do solo. Os maiores
aquedutos, ligando cidades distantes, atingiam cerca de 100
quilômetros de extensão. A água era movida pela gravidade de forma
muito eficiente, e o exame das técnicas romanas demonstra sua
sofisticação. Isso tudo 2000 anos atrás. Mas uma pesquisa revela que
muito antes dos romanos, outras civilizações desenvolveram aquedutos
para abastecer suas cidades.
Muito bem.
Estamos entrando na segunda década do século 21. Já botamos o homem
na Lua, queremos mandá-lo para Marte e desenvolvemos tecnologias
que, comparadas à dos romanos, podem ser consideradas mágicas. Mas
abrimos os jornais, ligamos os rádios e televisões e o que vemos
todo ano é o mesmo: Rio de Janeiro, Santa Catarina e Minas Gerais
alagadas, com gente perdendo casas e vidas. Ao mesmo tempo, Sergipe
e o Rio Grande do Sul sofrendo com secas terríveis, sem água para
cozinhar e com o gado morrendo de sede as plantações dizimadas.
Então quero sugerir uma besteira, daquelas que os ignorantes tem
licença para sugerir: que tal começar a pensar no Grande Aqueduto
Nacional? Na Aquabras? Um sistema capaz de distribuir a água em
excesso de uma região para outra, onde ela está em falta?
Você pode argumentar que essa é a proposta da transposição do Rio
São Francisco, por exemplo, ou que o Brasil é grande demais. Talvez
diga que do ponto de vista econômico essa obra é um desastre. Pode
dizer também que a geografia brasileira não permite. Talvez
argumente que a Aquabras, será apenas outra estatal cujos cargos de
direção serão loteados pelo PT... Pois é. Posso encontrar dezenas de
argumentos para não fazer, mas nenhum deles será mais forte que os
argumentos para não fazer o trem bala Rio-SP, por exemplo, que vai
consumir mais de 70 bilhões de reais e está em plena discussão.
A questão é de priorizar em que absurdo botar o dinheiro. Eu prefiro
a Aquabras.
Tudo bem, minha sugestão é absurda, não sou engenheiro e não entendo
lhufas de água, mas não me conformo em saber que 2000 anos atrás,
sem computadores, sem internet, sem assistência de técnicos chineses
e com muito menos dinheiro, Vitruvius resolveria o problema.
Pena que a solução para o problema não é técnica.
É política.
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