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Todo e Algum
Todo o poder emana do povo ou Todo poder emana do povo?
Todo é um pronome indefinido, isto é, determina o substantivo de
modo vago, indeterminado ou impreciso e seu significado varia
conforma esteja colocado na frase.
Sem artigo, tem a significação de um, cada, qualquer:Trabalho todo
dia (= cada dia, qualquer dia); com artigo, significa inteiro: Toda
a população deve ser consultada (= a população inteira). Toda casa
(= qualquer casa) um dia precisa ser reformada. Toda a casa (= a
casa inteira) precisa de ser reformada.
As duas expressões constantes da dúvida estão correta, porém com
significações diferentes. Na primeira forma, o poder inteiro provém
do povo: na segunda, qualquer poder tem sua origem no povo. No
sentido em que está na Constituição Federal “todo poder” significa,
o poder em sua plenitude, na totalidade das partes, e “todo poder”
tem sentido partitivo e quer dizer qualquer um dos poderes da
República.
Se a palavra todo aparecer depois de substantivo e significar
inteiro, é um adjetivo: Andei o dia todo ( o dia inteiro). Quando
colocado antes do substantivo, para trazer a significação de inteiro
deve vir seguido de um artigo. Toda a manhã estive trabalhando ( a
manhã inteira). Quando modificar adjetivo ou verbo, funciona como
advérbio: Os turistas ficaram todos admirados. Molhou-se toda na
chuva. Mesmo exercendo a função de advérbio, conserva a propriedade
de adjetivo, flexionando-se.
A forma neutra de todo é tudo e funciona como pronome substantivo ou
como pronome adjetivo: Comeu de tudo (pronome substantivo)- Tudo
aquilo era verdade (pronome adjetivo). Quando seguido de que,
reclama o artigo o e exerce a função de pronome demonstrativo: Tudo
o que foi falado era verdade.
Outra dúvida:
“Quando a palavra algum tem significado positivo e quando o tem
negativo?”
Algum também é pronome indefinido e, da mesma forma que todo, o seu
significado varia conforme sua colocação na frase.
Quando empregado antes do substantivo, algum tem valor positivo e
significa qualquer: Preciso de algum tempo para me preparar. Depois
do substantivo equivale a nenhum, tem valor negativo e, normalmente,
deve ser precedido de outra negativa, em geral não, sem, nada ou
nem: Não preciso de tempo algum para me preparar. Quando expressões
como de modo, de forma, de maneira, de jeito (ou equivalentes) derem
valor negativo à oração, o indefinido algum dispensa o uso de não,
nem, sem e nada: De modo algum preciso de tempo para me preparar.
Algum ainda pode significar certo, um pouco de: Ele fez alguma coisa
errada.
Além da forma feminina alguma, usada no exemplo acima, algum ainda
possui as formas cognatas algo e alguém, que são pronomes: alguém
indicando o nome de pessoa e algo, substituindo o de coisa: Alguém
me disse que ele viria. Algo de sério deve ter ocorrido para ele não
ter vindo.
Nenhum é a forma negativa de algum, cuja forma neutra é nada: Nenhum
pedido será atendido. Nada do que se falou era verdade.
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